PAPEIS DO PANAMÁ: Mãos da CIA?

Denúncias documentais de Snowden e Assange – caçados pelo regime dos EUA e seus fantoches internacionais – envolvendo crimes
de guerra e o sujo jogo político norte-americano e global, esquecidas pela mídia, têm no mínimo tanta importância quanto as revelações
de Papeis financiados por Washington. Contudo, ambos os lados estão quilometricamente distantes em termos de transparência. Que há
de errado em toda esta desproporção? Muita coisa, e o próprio WikiLeaks prova isso, documentalmente como sempre.”Se a quantidade de dados divulgado por WikiLeaks foi equivalente à população de San Francisco, a quantidade de dados divulgados nos documentos de Panamá é o equivalente ao da Índia”, informou a BBC de Londres em 5 de abril, um dia depois do vazamento dos Papeis do Panamá.

Já a NBC News, em 6 de abril reportava que “mais de 21 trilhões em riqueza global estão escondidos detrás de empresas de fachada, em grande parte não rastreáveis tais como aquelas expostas nos documentos do Panamá, de acordo com o grupo de vigilância (watchdog)Financial Accountability and Corporate Transparency Coalition“.

11,5 milhões de documentos confidenciais revelam como os ricos e poderosos utilizaram-se de paraísos fiscais para ocultar riqueza originária de negócios sujos, de lavagem de dinheiro e de esquemas de evasão fiscal envolvendo celebridades, atletas, altos empresários, chefes de Estado e de governo, políticos em geral e seus familiares, entre o período que se estende de 1977 a fins de 2015. Ao todo, estão envolvidos 12 chefes de Estado e 60 ex-chefes de Estado, além de um total de 140 políticos de 50 países do mundo.

Há mais de um ano, uma fonte anônima contactou o jornal alemão Süddeutsche Zeitung (SZ), da cidade de Munique, e enviou documentos internos criptografados do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca. A fonte não solicitava compensação financeira e nem qualquer outra coisa em troca. Até agora, ninguém sabe quem é tal fonte que revela milhares de envolvidos no paraíso fiscal panamenho.

Os mais de 11 milhões de documentos, investigados por mais de cem jornalistas de diversas nacionalidades desde que chegaram ao diário alemão, acabaram posteriormente enviados ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (The International Consortium of Investigative Journalists, ICIJ).

O jornal SZ relatou que “a revelação vem provar como uma indústria global liderada por grandes bancos, por escritórios de advocacia e por empresas de gestão de ativos secretamente administram as propriedades do mundo rico e famoso: políticos, funcionários da FIFA, fraudadores e contrabandistas de drogas, de celebridades e atletas profissionais” (artigo About the Panama Papers, em Sueddeutsche.de).

A importância dessas revelações é indiscutível. Contudo, muita dubiedade ainda paira no ar tanto quanto diversas “coincidências” que, somadas a determinadas evidências, levam a óbvias conclusões fazendo com que o destino de Papeis do Panamá torne-se bastante previsível, dado o atual cenário.

Mossack Fonseca

Mossack Fonseca (MF) é uma das maiores criadoras de “empresas de fachada”, isto é, grupos empresariais que podem ser utilizados a fim de esconder os verdadeiros possuidores de diversos ativos. Tais empresas permitem que seus proprietários ocultem os negócios, não importando o quanto sejam obscuros.Seus proprietários, o alemão Jürgen Mossack e o panamenho Ramón Fonseca Mora, ambos advogados, diante da repercussão dos Papeis do Panamá defendem-se argumentando que não podem se responsabilizar pela conduta e pelas ações de seus clientes.

O pai de Jürgen, Erhard Mossack, prestou serviços à comunidade de Inteligência norte-americana a fim de espionar Cuba. Foi exatamente esta atividade de espionagem que levou a família ao Panamá. Antes disso, Erhard havia servido às Waffen-SS nazista na II Guerra Mundial.

Já Ramón Fonseca Mora, além de jurista é também político: ex-ministro do atual presidente panamenho Juan Carlos Varela, ele também presidiu o Partido Panameñista até março deste ano, quando acabou demitido devido às investigações da Operação Lava Jato no Brasil. Fonseca é acusado de possuir ligação com envolvidos na lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras.

A MF tem declarado que considera que a ação dos mais de cem jornalistas viola a lei. “Isso é crime”, disse Fonseca nesta semana, em entrevista por telefone à Agence France-Presse (AFP, agência de notícias francesa). A empresa afirma ainda que tem operado acima de qualquer suspeita há 40 anos, sem nunca ter sido acusada de nenhuma irregularidade.

Principais Envolvidos

O primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Davíð Gunnlaugsson;O rei da Arábia Saudita, Abdalá bin Abdelaziz al Saud;

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, e junto seu pai, Franco, e seu irmão, Mariano, diretores da sociedade Fleg Trading Ltd. Registrada nas Ilhas Bahamas entre 1998 e 2009, ao ser eleito governador de Buenos Aires em 2007 o atual presidente da Argentina não incluiu na declaração juramentada seus vínculos com a sociedade;

O pai do primeiro-ministro britânico, David Cameron (quem se atrapalhou em entrevista à TV inglesa logo após as denúncias, primeiro negando possuir conta no paraíso fiscal panamenho, para posteriormente reconhecê-la tentando se eximir de culpa, o que pegou muito mal perante a opinião pública);

O presidente ucraniano, Piotr Poroshenko;

O ex-presidente da UEFA, o francês Michel Platini;

O jogador de futebol argentino, Lionel Messi.

O cineasta espanhol Pedro Almodóvar;

A tia do atual rei da Espanha, Pilar de Borbón;

Um amigo do presidente da Rússia, Vladimir Putin: segundo registros do ICIJ, Sergei Roldugin, amigo de infância do presidente russo, está listado como proprietário de empresas offshore que obtiveram pagamentos de outras companhias, no valor de dezenas de milhões de dólares.

Também foi revelado que 1 bilhão de dólares, suspeitos de lavagem de dinheiro, foi depositado pelo banco russo Bank Rossiya, sancionada pelos EUA e pela União Europeia após a anexação da Crimeia pela Federação Russa;

Empresas offshore ligadas à família do presidente da China, Xi Jinping;

Primos do presidente sírio, Bashar al-Assad;

“Homens de confiança” do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas;

33 pessoas e empresas na “lista negra” do governo dos EUA por negócios com barões da droga mexicanos (segundo Washington);

Organizações de resistência e libertação nacional consideradas terroristas pelos EUA, tais como o libanês Hezbollah além de nações consideradas por Washington como pertencentes ao Eixo do Mal, como a Coreia do Norte.

Mãos da CIA?

O jornal de Munique que repassou ao ICIJ os milhões de Papeis situa-se a centro-direita no espectro político, mantendo firme posição pró-OTAN. O SZ colabora com os britânico The Guardian e BBC, com o francês Le Monde, todos de centro-direita. Certa vez, determinado jornalista mencionou na revista alemã Der Spiegel: na Europa, todo grande meio de comunicação possui “jornalista” que faz as vezes de agente da CIA.Quanto ao ICIJ, está longe de ser um veículo de informação independente. Seu próprio sítio na Internet revela as tão poderosas quanto nada democráticas fundações e organizações promotoras de “revoluções coloridas” (como no caso de Brasil, Venezuela, Ucrânia, Síria, Líbia, Egito etc) que o financiam e trabalham intimamente com o Departamento de Estado norte-americano, há muito tempo, a fim de destabilizar nações, sabotar e derrubar governos com o fim de atender aos interesses geoestratégicos dos Estados Unidos e da OTAN.

Uma investigação de 1976 por parte do Congresso EUA, revelou que quase 50% das 700 doações à área de atuação das atividades internacionais das principais fundações do país, foram financiados pela CIA (mencionado em Who Paid the Piper? The CIA and the Cultural Cold War, Frances Stonor Saunders, Granta Books, 1999, pp. 134-135; este livro foi revisto e resenhado pelo jornalista norte-americano James Petras, e pode ser lido através desta ligação).

De acordo um ex-agente da CIA, a colaboração das “respeitáveis e prestigiosas” fundações permitiram que a agência de espionagem financiasse “um número aparentemente ilimitada de programas de ação secreta, que afetam grupos de jovens, sindicatos, universidades, editoras e outras instituições privadas” (ibidem, p. 135). A última incluiu grupos de”direitos humanos” que nasceram nos anos de 1950 e existem até hoje.

No sítio do ICIJ, na seção About (Sobre), podem ser vistos os parceiros do Consórcio, em tese jornalístico, sob o título Our supporters(Nossos apoiantes). Entre seus mantenedores, estão nada menos que:

Open Society Foundations (OSF) de George Soros, magnata inescrupuloso e um dos maiores lobistas do sujo jogo político dos EUA. As OSF trabalham em parceria com o Departamento de Estado dos EUA e com a USAID, e colaboram com Washington na “Guerra contra as Drogas” especialmente na América Latina: tal qual a “Guerra ao Terror” no Oriente Médio, na região historicamente considerada pelos EUA seu quintal traseiro, serve como pretexto para a expansão de bases militares e para cumprir a agenda econômica e política coercitivo-expansionista norte-americana.

Além disso, as OSF têm estado envolvidas com a campanha dos EUA na “Revolução Colorida”, por trás da turbulência em Kiev. Esta reportagem do jornal The Guardian comprova o envolvimento do regime de Washington na Ucrãnia.

The Ford Foundation (FF), considerada pela CIA “o melhor e mais plausível tipo de financiamento encoberto” (Who Paid the Piper?). As ligações da FF com a CIA remontam ao início das atividades da maior agência secreta dos EUA: segundo o mesmo Petras, a fim de “fortalecer a hegemonia cultural e imperial dos EUA, além de minar políticas de esquerda e sua influência cultural (The Ford Foundation and the CIA, no sítio canadense Global Research).

Conforme observado por este autor em WikiLeaks Revela que ‘Panamá Papers’ Foi Financiado pelos EUA, a FF, ONG de fachada da CIA é mantenedora do programa Observatório da Imprensa. Não por mera coincidência, seu editor-chefe, Alberto Dines, é assumidamente sionista e foi o maior promotor do golpe militar de 1964, quando escrevia para o Jornal do Brasil do Rio de Janeiro.

O mais revelador, porém, encontra-se na página do Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), organização parceira do ICIJ e cujo sítio é o divulgador dos Papeis do Panamá. O OCCRP mostra, ao final da páginaWho Supports Our Work(Quem Sustenta Nosso Trabalho): entre as organizações que sustentam o OCCRP estão novamente a de George Soros, e a USAID.

A USAID, considerada pela mídia gorda mundial, especialmente a brasileira como uma organização benevolente, tem participado de diversas atividades de desestabilização, sabotagens, golpes e assassinatos ao se infiltrar como organização de promoção da democracia e “ajuda humanitária” nos quatro cantos do planeta.

Nada mais que outra ONG “laranja” da CIA, é a USAID quem tem desestabilizado, arquitetado e financiado tentativas de golpe e de magnicídio nos países progressistas latino-americanos, bem como financiou o próprio golpe militar no Brasil em 1964. A ligação do Departamento de Estado dos EUA com a USAID é comprovado no próprio sítio do regime norte-americano.

Ali, lê-se em referência à USAID: “Uma imprensa pluralista e independente é crucial para garantir governos responsáveis e a democracia sustentável em todo o mundo”, o que é risível em se tratando de Estados Unidos. Pois exatamente essa é a tática, como se dá noObservatório da Imprensa do Brasil, por exemplo: proporcionar aspecto democrático e de fiscal do trabalho alheio sem, contudo, jamais tocar nas feridas enquanto promove os interesses políticos e econômicos dos EUA e de seus aliados.

Os Papeis em Contexto

Quanto aos Papeis do Panamá em si, pelo simples fato de que um governo, qualquer que seja ele, tenha financiado tal liberação já o torna suspeito por si só. Levando-se em consideração que o regime em questão nada mais é o de Washington, cujas “políticas” e “excessos” desde o pós-II Guerra Mundial quando se consagrou como único Estado na história a lançar bombas atômicas arrasando Hiroshima e Nagasaki, e que até os dias de hoje patrocinam os maiores crimes de sabotagens, golpes e crimes de lesa-humanidade, já é um fato mais que suficiente para lançar profundo alerta.Pois quando se depara com o fato de que nenhum político ou empresário norte-americano e nem de seu principal aliado, exatamente o Estado de Israel que igualmente tem cometido crimes de lesa-humanidade contra os palestinos – apoiado por Washington e condenado internacionalmente -, já torna desnecessário dizer qualquer coisa.

Outros importantes aliados dos EUA cujos governantes não constam são os estados policialescos de França, Espanha, Colômbia (maior parceira na região mais rica em biodiversidade do planeta, histórico palco de obsessão norte-americana), além de líderes de países-membro da OTAN. Chamam profundamente a atenção tais ausências por serem aliadas de Washington.

Imaginar também que os especuladores de Wall Street e as megacorporações com seus respectivos bilionários magnatas ocidentais não estão envolvidos em lavagem de dinheiro no Panamá seria, no mínimo, muito ingênuo. Mas nenhum deles se inclui na lista – ou, ao menos, não se tem notícia de que constem entre os Papeis.

Enquanto isso, líderes que não possuem vínculo direto com os Papeis, tais como Putin e Al-Assad, têm sido bombardeados pela mídia internacional, especialista em realizar pré-julgamentos e em ditar a opinião pública.

A este respeito, o porta-voz da Rússia, Dimitri Peskov, acrescentou que as publicações não continham nada de concreto ou de novo sobre Putin, e disse que “esta ‘putinofobia’ no exterior chegou a tal ponto que se torno, de fato, um tabu dizer qualquer coisa boa sobre a Rússia, sobre qualquer medida ou realização russa. Parece ser obrigação dizer coisas ruins, muitas coisas ruins e, quando não há nada a dizer, inventar”

Ofuscar o efeito positivo causado pelo progresso da Rússia na Síria seria um dos objetivos do ataque contra Putin, disse Peskov.

Pois este é outro fato que pode, muito bem, ser caracterizado como sintomático nesta liberação de documentos: a importância que a mídia gorda internacional (muito peso, pouco conteúdo) dá ao fato de que papeis (jamais exibidos publicamente) incriminam um amigo de Putin, enfatizando “amizade de longa-data”.

Neste sentido, a reportagem da BBC de Londres logo após as revelações, é grande evidência cuja reportagem Panama Papers: Mossack Fonseca Leak Reveals Elite’s Tax Havens reporta “Conexão Russa” no inter-título, passando a ideia de que a Rússia como um todo ou o governo russo está envolvido, e não personagens isolados como apontam os supostos documentos. Tal abordagem se difere radicalmente das reportagens do alto-empresariado e dos altos escalões do regime de Washington envolvidos em escândalos de corrupção e em práticas terroristas, o que revela uma vez mais o caráter tendencioso, acentuadamente anti-russo da grande mídia ocidental.

Portanto, envolvendo os Papeis do Panamá, assim como ocorre com outros líderes internacionais odiados pelos EUA, os presidentes russo e sírio têm sido declarados culpados por “associação” a determinados indivíduos (seu amigo de infância), não por eles mesmo terem lavado dinheiro. E este “crime por associação” tem sido sentenciado pelos principais meios ocidentais.

Se não bastassem todas essas conexões que fazem perfeito sentido de que há algo errado – documentos faltando e/ou sobrando entre tal papelada -, WikiLeaks veio a público imediatamente após a divulgação dos Papeis do Panamá afirmando que eles foram financiados por Washington.

E que se tenha em mente, especialmente entre os mais céticos que relutam em encarar a verdade dos fatos que confronta o mundo invertido imposto pela mídia ocidental, pró-Washington: a própria Casa Branca acabou, sem saída pois a organização de Julian Assange sempre apresenta documentos para sustentar suas afirmações, reconhece o referido financiamento. Contudo, o motivo apresentado por Washington foge completamente à sua regra: cooperação com o jornalismo e com o combate ao crime internacional de lavagem de dinheiro.

Lembremos aqui que não apenas os golpes militares na América Latina patrocinados por Washington e o escândalo conhecido como Irã-Contras que veio à tona em 1986 envolvendo o então presidente Ronald Reagan se deram através de lavagem de dinheiro, como atualmente oposições nacionais violentas pró-Washington, desestabilizadoras sobretudo de governos democráticos em todo o mundo, em grande medida, lavam dinheiro.

Dificilmente o agente anônimo que teve acesso e entregou os Papeis é um indivíduo. A pergunta que não quer calar é: será esta instituição “alguma” agência de Inteligência? O contexto leva a crer que sim, principalmente se o colocarmos também dentro do próprio contexto histórico das sabidas espionagens, chantagens, sabotagens, golpes, assassinatos e muita guerra suja por parte da CIA.

‘Putinofobia’: Pedra no Sapato do Império Agonizante

A Pravda já havia noticiado, em 31 de março: Kremlin Prepara-Se para Ataques ‘Jornalísticos’ contra Putin, na seção Federação Russa. “O porta-voz do presidente russo Vladimir Putin, Dmítri Péskov, em conversa com repórteres, comentou o pedido recebido pelo chefe de Estado da Federação Russa, para que respondesse a uma lista de perguntas provocativas, encaminhada por um “Request Thread – Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo” (sic). O Kremlin respondeu que não tomaria conhecimento das perguntas, propostas em estilo de Inquisição”, dizia a reportagem.Dimitri Peskov alertou que o objetivo principal da mídia ao ligar o presidente Putin a operações em paraísos fiscais, é prejudicar a imagem do presidente, “especialmente no contexto da próxima eleições parlamentares, e sob uma perspectiva de longo prazo: refiro-me às eleições presidenciais dentro de dois anos”.

Não é de hoje a aversão de Washington ao presidente Vladimir Putin e, por consequência, de seus porta-vozes desde o Pentágono midiático com sede em Nova Iorque, que ditam o que será e o que não será noticiado e opinado nos meios ocidentais e em outras regiões subservientes ao regime dos Estados Unidos.

Outros motivos não apontados pelo porta-voz do Kremlin para a guerra midiática, aproveitando-se agora dos Papeis do Panamá, são a superpotência militar que a Rússia representa, além de questões geoestratégicas que envolvem a Crimeia, cuja opção da própria sociedade em se integrar à nação russa não tem sido bem digerida pelos EUA, e a luta norte-americana em dominar a Ucrânia.

Na Síria, onde os EUA tentam derrotar Assad mas não o EI, a Rússia tem obtido sucessivas e expressivas vitórias contra o autodenominado Estado Islamita (EI).

Realmente, como se pode perceber através da agressividade de Washington e de seus porta-vozes midiáticos, a vingança por essas vitórias tem vindo a cavalo: o regime de Barack Obama tampouco tem digerido bem o efetivo combate contra seus maiores aliados no Oriente Médio, que servem como justificativa para que os EUA estacionem e aumentem o número de bases militares na região mais rica em petróleo do planeta (e ainda cerque as temidas China e Rússia): os terroristas do EI e da Al-Qaeda.

O presidente Putin não tem se demonstrado, na prática, inimigo de governo nenhum no mundo, pelo contrário. O que ocorre é o que a patologia do poder imperialista norte-americano não aceita que seus almejos coercitivo expansionistas sejam questionados e brecados, como apenas o Kremlin tem sido capaz de fazer (não por falta de vontade de inúmeras nações ao redor do planeta).

Desta maneira, a “putinofobia” é mais uma reedição da histeria macarthista que toma conta do imaginário coletivo norte-americano, cuja esquizofrenia é reverberada fielmente pelos principais meios de comunicação no Ocidente fazendo-se espalhar pelo mundo.

O Centro de Pesquisa da Opinião Pública Russo (VTsIOM) realizou uma pesquisa a qual constatou que 64% dos russos responderam “sim” à pergunta se é necessário manter a União Soviética como uma federação de repúblicas igualitária em que vão garantir-se os direitos e liberdades do homem de qualquer nacionalidade. enquete feita pela Russia Today demonstra haver ainda uma forte resistência ao capitalismo no país, já que a maior parte dos entrevistados considera a vida na Rússia Socialista melhor que nos tempos atuais, conforme pode-se verificar na página da emissora russa.

Certamente, a nação russa representa ameaça ao Estado mais terrorista da história por vários motivos que a mídia de desinformação das massas não menciona, mas que andam deixando o Império agonizante cada vez mais alarmado.

‘Papeis’ Seletivos e até Forjados?

O jornal The Guardian ressalta sempre que “grande parte do material que vazou, permanecerá secreto”. Por quê? Para que os Papeis, que coopera com a agenda da OTAN, sirvam como meio de chantagem global?Está claro que o vazamento dos Papeis do Panamá, mesmo que contenha alguns aliados de Washington – seja para dar ares de autenticidade às revelações, seja por motivos que ainda se desconhece – estão sendo vazados seletivamente ou até mesmo, em determinados casos, têm sido forjados desempenhando desta maneira mais um papel propagandista contra países e indivíduos que contrariam os objetivos geoestratégicos imperialistas.

E uma vez mais o “jornalismo” predominante internacional encontra-se completamente alijado de uma investigação neste sentido, como sempre ajoelhado diante do monoteísmo do mercado norte-americano já dando descaradas mostras de que repercutirá exaustivamente os Papeis do Panamá, inversamente proporcional ao que tem ocorrido em relação às denúncias de Edward Snowden e Julian Assange, hoje completamente esquecidos e por isso até desconhecidos de grande parte da opinião pública especialmente no Brasil (inclusive entre as classes mais favorecidas). Denúncias estas que mudam completamente a leitura que se faz da política norte-americana e internacional.

Mas tudo segue como está e, pelo visto, por outro lado os Papeis do Panamá não transformarão em nada o estado de espírito e a realidade humana. Quem viver, verá.

Edu Montesanti


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